A Nvidia voltou a ser negociada a um preço que não era visto desde o início de 2019, antes da explosão da inteligência artificial que transformou a fabricante de chips na grande estrela de Wall Street. As ações acumulam queda de 16% desde a máxima histórica registrada em 14 de maio, movimento que cortou cerca de US$ 1 trilhão do seu valuation em menos de dois meses, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Hoje, a Nvidia é negociada a 18 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses, abaixo do múltiplo do próprio S&P 500, acima de 20 vezes, e também inferior ao do Nasdaq 100, próximo de 23 vezes.
De acordo com analistas, a desvalorização, porém, não reflete uma deterioração dos fundamentos da empresa. Pelo contrário, eles continuam revisando para cima as projeções de lucro da Nvidia. A queda é explicada, principalmente, pela migração de capital para outros nomes da cadeia de semicondutores, como a Micron Technology, a AMD e a Intel, cujas ações dobraram ou até triplicaram de valor em 2026.
Setor dispara, mas Nvidia fica para trás
O índice de semicondutores da Bolsa de Filadélfia acumula alta de 74% em 2026 e caminha para seu melhor desempenho desde 2003, impulsionado especialmente pela Micron, cujas ações sobem 229% neste ano, após avançarem 239% em 2025, beneficiadas pela disparada dos preços das memórias de alta performance.
A Nvidia, por outro lado, ocupa hoje a terceira pior posição entre as 30 empresas que compõem o índice, depois de ter sido a segunda melhor em 2024. Em 2026, suas ações avançam apenas 5,6%, abaixo dos ganhos de 9,6% do S&P 500 e de 16% do Nasdaq 100.
A correlação entre a ação da companhia e o índice de semicondutores também caiu, no mês passado, ao menor nível desde 2014, reforçando a percepção de que o papel passou a seguir uma dinâmica diferente da observada no restante da indústria.
Diretor de investimentos da Accuvest Global Advisors, gestora que mantém posição na Nvidia, Eric Clark atribui a correção ao excesso de concentração que havia no papel.
“As ações tiveram uma valorização muito expressiva e rápida durante certo período. Era uma operação muito concorrida. Mas havia outros ativos aos quais o mercado também queria se expor. Assim, a Nvidia acabou servindo, em certa medida, como fonte de recursos para financiar algumas dessas outras operações”, explicou.
Concorrência aumenta, mas liderança permanece
Parte da pressão também vem da estratégia adotada pelos próprios clientes da Nvidia. Empresas como Alphabet, dona do Google, e Amazon vêm acelerando o desenvolvimento de chips próprios para IA, buscando reduzir sua dependência dos processadores da companhia.
Mesmo assim, a liderança da Nvidia permanece praticamente intacta. Dados da Bloomberg Intelligence mostram que a empresa encerrou 2025 com 97% de participação no mercado de Unidade de Processamento Gráfico (GPUs, em inglês) para servidores, acima dos 95% registrados um ano antes.
Para o ano fiscal de 2027, o mercado projeta receita de US$ 393 bilhões e lucro de US$ 228 bilhões, altas de 82% e 90%, respectivamente, em relação ao período anterior. A estimativa de lucro, inclusive, aumentou 13% apenas nos últimos três meses, reforçando o otimismo de Wall Street.
Entre as 82 instituições que acompanham a Nvidia, segundo levantamento da Bloomberg, apenas três recomendam “manter” as ações e apenas uma indica “venda”. O preço-alvo médio é de US$ 302 por ação, o que representa potencial de valorização superior a 50% nos próximos 12 meses, o maior entre as “Sete Magníficas”.












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