Depois de anos tentando reduzir a dependência de tecnologia estrangeira, a China começa a colher os frutos dos investimentos bilionários na indústria nacional de semicondutores voltados à inteligência artificial.
Para o Macquarie, esse é o momento de apostar nas ações das fabricantes chinesas de chips.
Em relatório divulgado no fim de junho e repercutido pela CNBC, os analistas de tecnologia do banco australiano iniciaram cobertura de cinco empresas chinesas do setor. A principal recomendação é a Cambricon, listada na Bolsa de Xangai, classificada como “compra”.
O Macquarie atribuiu preço-alvo de 2.060 yuans por ação para a instituição conhecida como “Nvidia chinesa”, cerca de US$ 303,43. No fechamento desta segunda-feira, 6, o preço estava em 1.369,75 yuans, com alta de 1.24%, em Shanghai.
Governo chinês como combustível do setor
O otimismo do banco está apoiado nas perspectivas para as fabricantes locais, como o avanço da IA na China, o amadurecimento dos desenvolvedores domésticos de modelos de linguagem (LLMs, em inglês) e a expansão da chamada economia de tokens.
Outro ponto central é o apoio do governo chinês à indústria nacional de chips. Parte desse incentivo ocorre por meio de restrições à importação de unidades de processamento gráfico (GPUs) da Nvidia, em uma resposta às barreiras impostas pelos Estados Unidos para limitar a exportação de tecnologias.
Esse movimento ajuda a explicar uma mudança no mercado chinês. Mesmo após Washington autorizar a venda de alguns modelos menos avançados de chips da Nvidia para a China, o interesse das empresas locais por esses produtos vem diminuindo.
A Huawei continua sendo, assim, a principal referência em semicondutores chineses voltados à IA, graças à família de processadores Ascend. Como a companhia não demonstra intenção de abrir capital, outras fabricantes listadas em bolsa acabam se tornando alternativas.
Cambricon lidera a lista de preferências
A Cambricon chamou a atenção do Macquarie por ter deixado de depender dos clusters de computação inteligente ligados ao governo chinês para ampliar sua presença entre grandes provedores de computação em nuvem e desenvolvedores privados de modelos de linguagem.
Na avaliação do banco repercutida pela CNBC, essa transição tornou a receita mais equilibrada, preservou margens saudáveis e fortaleceu a geração de caixa.
Já entre as empresas listadas em Hong Kong, a favorita é a Biren Tech, cujo Macquarie definiu preço-alvo de 140 dólares de Hong Kong por ação, cerca de US$ 17,85.
Os analistas destacam o portfólio de GPUs de computação de propósito geral da companhia, voltado para aplicações de alto poder computacional, interconexão de chips e grandes clusters de computação, além da estratégia de fortalecimento da cadeia doméstica de suprimentos, que deve favorecer o lançamento de novos produtos.
Completam a lista de preferidas do banco a Iluvatar CoreX, negociada em Hong Kong, e a MetaX, listada em Xangai.
Hygon é a exceção negativa
No entanto, nem todas as empresas receberam avaliação positiva. A Hygon, também listada em Xangai, foi a única a receber recomendação de “venda”, diante das preocupações com a perda de participação de mercado.
O Macquarie reconhece que a companhia ocupa posição relevante nos segmentos de unidade central de processamento (CPUs) e chips de IA na China.
Ainda assim, avalia que parte desse avanço decorre da transferência de tecnologia da estadunidense AMD e vê espaço limitado para o crescimento do setor diante da evolução da chamada IA agêntica.
O banco também lembra que Alibaba e Baidu mantêm subsidiárias dedicadas ao desenvolvimento de chips de IA, embora nenhuma delas faça parte da lista de favoritas. Mesmo assim, a Huawei segue como líder isolada em volume de entregas.
Dados da consultoria IDC citados pelo Macquarie e pela CNBC mostram que a Cambricon ocupou o segundo lugar em embarques de chips de IA no último ano, atrás apenas da linha Ascend, da Huawei. A Hygon aparece na terceira posição do ranking.












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