Ibovespa cai quase 1% enquanto bolsas de NY fecham em alta; dólar recua

ibovespa-cai-quase-1%-enquanto-bolsas-de-ny-fecham-em-alta;-dolar-recua

O Ibovespa encerrou esta segunda-feira, 6, em queda de 0,93%, aos 172.447 pontos, devolvendo boa parte dos ganhos acumulados nas duas sessões anteriores. O pregão teve giro financeiro reduzido, de R$ 17,2 bilhões, refletindo um fluxo mais fraco de investidores estrangeiros, mesmo com o desempenho positivo das bolsas de Nova York.

O dólar comercial, por sua vez, contrariou a tendência externa e fechou em queda de 0,70%, cotado a R$ 5,132.

Dos 78 papéis que compõem o Ibovespa, 55 deles encerraram o dia no vermelho. As perdas foram lideradas por Totvs (TOTS3), que caiu 4,67%, seguida por Lojas Renner (LREN3), com recuo de 4,59%, e Braskem (BRKM5) que cedeu 4,49%.

Mas ações de maior peso do índice que pressionaram o desempenho da referência acionária. As ordinárias da Petrobras (PETR3) caíram 1,56% e as preferenciais Petrobras (PETR4) recuaram 1,44%. A Vale (VALE3) também caiu, com perda de 1,32%.

Os bancões também tombaram em bloco. O Banco do Brasil (BBAS3) caiu 1,05%, Santander Brasil (SANB11) recuou 0,41%, BTG Pactual (BPAC11) cedeu 0,91%, Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 0,40% e Bradesco (BBDC4) recuou 0,41%.

Na ponta positiva, Brava Energia (BRAV3) liderou os ganhos, com alta de 3,52%, seguida por RD Saúde (RADL3), que subiu 2,59%, e Auren (AURE3), com avanço de 2,08%.

Mais cedo, o Banco Central divulgou o Boletim Focus. A projeção para a inflação medida pelo IPCA em 2026 passou de 5,33% para 5,30%, enquanto a expectativa para a Selic permaneceu inalterada. Para 2027, a estimativa de inflação subiu de 4,17% para 4,18%. As projeções para 2028 e 2029 ficaram em 3,70% e 3,50%, respectivamente.

No caso do PIB, a expectativa de crescimento para este ano permaneceu em 1,99%. Para 2027, a projeção passou de 1,68% para 1,69%, enquanto as estimativas para 2028 e 2029 foram mantidas em 2%.

No cenário externo, os investidores acompanharam indicadores econômicos da Europa. Na Alemanha, as encomendas à indústria cresceram 1,9% em maio na comparação mensal, acima da expectativa do mercado. No Reino Unido, o PMI da construção avançou de 38,2 para 38,4 em junho, mas permaneceu abaixo de 50 pontos, indicando contração da atividade.

Também permaneceu no radar a audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), que discute a possibilidade de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.

“O movimento é de cautela diante da audiência pública nos Estados Unidos sobre a possível tarifa adicional de 25% contra produtos brasileiros. Se a medida avançar, o impacto tende a aparecer primeiro no câmbio e nas empresas mais expostas ao comércio exterior, porque o mercado passa a precificar perda de competitividade, pressão sobre margens e risco de retaliação comercial”, afirma Sidney Lima, analista CNPI da Ouro Preto Investimentos.

“O mercado não está precificando pânico, mas está exigindo mais prêmio para risco”, acrescenta.

Segundo o analista, o mercado agora tenta avaliar se a queda do Ibovespa representa apenas uma realização de lucros depois das altas recentes ou se marca uma postura mais defensiva diante do cenário de juros, commodities, fluxo estrangeiro e incertezas comerciais.

Dólar cai na contramão do exterior

O dólar à vista fechou em queda de 0,70%, cotado a R$ 5,132, descolando-se do movimento observado no exterior.

Os investidores acompanharam declarações do diretor do Federal Reserve, Christopher Waller, que afirmou que Kevin Warsh sempre esteve comprometido com a meta de inflação e que não defenderá juros baixos apenas para favorecer o governo americano.

Techs impulsionam bolsas de Nova York para nova sessão de ganhos

As bolsas americanas fecharam em alta nesta segunda-feira, impulsionadas pelo desempenho das empresas de tecnologia. O Dow Jones avançou 0,29%, aos 53.055,91 pontos, encerrando pela primeira vez acima dos 53 mil pontos. O S&P 500 subiu 0,72%, aos 7.537,43 pontos, enquanto o Nasdaq avançou 1,12%, aos 26.121,16 pontos.

Entre os destaques do dia, a Micron ganhou 0,96% após anunciar um acordo de fornecimento de semicondutores para a Ford. A Dell Technologies subiu 4,36%, enquanto a Microsoft caiu 0,96% depois de anunciar a demissão de cerca de 4,8 mil funcionários.

Petróleo fecha em queda após decisão da Opep+

Os contratos futuros do petróleo encerraram o dia em baixa, refletindo a expectativa de aumento da oferta global.

A Opep+ confirmou um aumento de 188 mil barris por dia na produção a partir de agosto. Além disso, a redução das tensões entre Estados Unidos e Irã manteve o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz, reduzindo as preocupações com o abastecimento.

No fechamento, o Brent para setembro caiu 0,18%, para US$ 71,99 por barril, enquanto o WTI para agosto recuou 0,20%, para US$ 68,55 por barril.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *