Ibovespa cai com crise entre EUA e Irã e ata do Fed no radar

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O Ibovespa cai 0,70%, a 170,8 mil pontos, no início do pregão desta quarta-feira, 8, pressionado pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e pela expectativa em torno da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed). Às 10h50 (horário de Brasília), o dólar comercial caía 0,15%, cotado a R$ 5,1444.

Entre as blue chips, a alta do petróleo sustentava o desempenho das petroleiras. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) subiam 2,45%, enquanto as ordinárias (PETR3) avançavam 2,03%. Na ponta oposta, Vale (VALE3) recuava 3,04%, pressionando o índice.

Entre os bancos, Itaú Unibanco (ITUB4) recuava 0,97%, Bradesco (BBDC4) caía 0,45% e Banco do Brasil (BBAS3) perdia 0,56%. Nas altas, destaque para PetroRecôncavo (RECV3), com ganho de 3,65%, seguida por Ultrapar (UGPA3), que avançava 3,01%, e Natura (NATU3), em alta de 2,73%.

Já entre as maiores quedas, Cury (CURY3) recuava 5,12%, seguida por Cyrela (CYRE3), que caía 4,10%, e Embraer (EMBJ3), com perda de 3,09%.

O sócio e fundador da Ipê Avaliações, Fábio Murad, vê que o mercado iniciou o pregão em modo de proteção, refletindo uma combinação de fatores externos. “O dólar começou o dia na faixa de R$ 5,16 e o Ibovespa abriu aos 172.439 pontos, refletindo uma combinação de choques externos: petróleo em alta, tensão entre Estados Unidos e Irã e risco comercial com a possível taxação de produtos brasileiros pelos EUA.”

Para o especialista, a escalada do petróleo amplia o prêmio de risco e favorece a busca por ativos considerados mais seguros. “Quando o petróleo sobe mais de 5% e volta a preocupação com o Estreito de Ormuz, o investidor reduz exposição a emergentes e busca dólar. Isso pressiona o real, mesmo com fundamentos domésticos ainda relativamente favoráveis”, disse à EXAME.

No Brasil, o mercado repercutirá, ao longo do dia, o índice de confiança do consumidor, as estatísticas do fluxo cambial do Banco Central e novas pesquisas eleitorais. O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, também presta depoimento à Comissão Mista de Orçamento sobre o cumprimento das metas fiscais do primeiro quadrimestre de 2026.

Além do cenário nacional, os investidores acompanham uma agenda carregada de indicadores econômicos nos EUA, com destaque para a divulgação, à tarde, da ata da última reunião do Fed. O documento é aguardado por investidores em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária americana. Por lá, os investidores também aguardam dados dos estoques semanais de petróleo bruto.

Petróleo dispara após nova escalada entre EUA e Irã

O petróleo dispara hoje após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que o cessar-fogo firmado com o Irã no mês passado chegou ao fim. Washington realizou uma série de ataques contra Teerã em resposta a ofensivas contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz.

Em resposta, o Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou os ataques americanos como uma grave violação do memorando de entendimento firmado entre os dois países e afirmou que suas forças armadas defenderão a soberania nacional.

Os contratos futuros do petróleo chegaram a subir cerca de 6%, levando o Brent a US$ 78,64 e o West Texas Intermediate (WTI) a US$ 74,83, antes de recuarem para US$ 77,97 e US$ 73,93, respectivamente, próximo das 10h40.

EUA operam em queda com Irã e expectativa do Fed

As bolsas de Nova York operam em queda, pressionadas pela escalada das tensões no Oriente Médio após as falas do presidente dos EUA, Donald Trump, contra o Irã. O Dow Jones caía 0,9%, enquanto o S&P 500 recuava 0,6% e o Nasdaq Composite perdia 0,4%.

Entre os destaques positivos, as ações das petroleiras avançavam, com ConocoPhillips e Marathon Petroleum subindo cerca de 2%, enquanto Chevron e Exxon Mobil ganhavam mais de 1%.

Na ponta oposta, o setor de semicondutores seguia pressionado. A Micron Technology caía 3% e acumulava desvalorização de 25% em relação à máxima das últimas 52 semanas. O ETF VanEck Semiconductor (SMH) recuava mais de 1%.

Europa amplia perdas com escalada da guerra

As bolsas europeias aprofundam as perdas devido à escalada dos conflitos entre Estados Unidos e Irã e pelo aumento da aversão ao risco nos mercados globais.

O índice pan-europeu Stoxx 600 caía 1,14%. Entre os principais mercados da região, o DAX, da Alemanha, recuava 1,73%, enquanto o FTSE 100, de Londres, perdia 0,94%. Na França, o CAC 40 caía 1,61%, e, na Itália, o FTSE MIB recuava 0,83%.

O setor de petróleo e gás seguia entre os poucos destaques positivos da sessão, sustentado pela disparada dos preços do Brent e do WTI. Em contrapartida, ações dos segmentos de tecnologia, indústria e consumo lideravam as perdas na região.

Ásia fecha sem direção única nesta quarta

As bolsas da Ásia-Pacífico fecharam majoritariamente em queda, refletindo o aumento da aversão ao risco provocado pela escalada dos conflitos no Oriente Médio.

O principal destaque negativo foi a Coreia do Sul, onde o Kospi despencou 5,35%, aos 7.246,79 pontos. Durante a sessão, a Bolsa da Coreia chegou a acionar um mecanismo que suspende temporariamente ordens de venda.

No Japão, o Nikkei 225 caiu 2,11%, enquanto o Topix recuou 1,37%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 encerrou o dia com baixa de 0,21%.

Na contramão da região, o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 3%, impulsionado por compras em ações de tecnologia e consumo. Já o CSI 300, que reúne as principais empresas listadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen, recuou 0,77%.

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