A temporada de balanços das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos expôs uma nova fase do rali das ações ligadas à inteligência artificial (IA). Os investidores continuam apostando no potencial do setor, mas passaram a cobrar resultados mais concretos a partir dos investimentos bilionários.
Na última semana, os resultados de gigantes como Microsoft, Amazon, Apple e Meta provocaram movimentos opostos nas bolsas. Enquanto a Microsoft registrou o maior ganho diário da história de uma empresa americana e a Amazon disparou, a Apple e a Meta foram penalizadas por projeções abaixo das expectativas.
O movimento mostra uma mudança de postura dos investidores, segundo o Wall Street Journal. Depois de meses aceitando grandes gastos com chips, data centers e infraestrutura de IA em nome do crescimento futuro, o mercado começou a mudar.
Na visão da estrategista-chefe de mercado e gestora de portfólio da Crossmark Global Investment, Victoria Fernandez, está tudo “meio caótico”; e, “embora a camada superficial indique que as coisas vão bem, por baixo há muita turbulência e incerteza”, pontuou ao WSJ.
Investidores querem provas de rentabilidade da IA
Nos últimos meses, empresas como Microsoft, Amazon, Alphabet e Meta aumentaram agressivamente os investimentos em infraestrutura e sistemas de computação para sustentar a corrida pela IA generativa. O receio dos investidores é que esses gastos cresçam mais rápido do que a rentabilidade.
A cobrança também atingiu empresas consideradas fornecedoras da infraestrutura da tecnologia. Depois de sofrerem fortes quedas ao longo do mês, fabricantes de chips, fornecedores de memória e outras companhias ligadas à cadeia da IA tiveram alívio com a confirmação de que as big techs continuam gastando.
O índice PHLX Semiconductor, que acompanha ações de semicondutores, conseguiu fechar a semana em alta na sexta-feira, 31, embora ainda acumulasse queda de cerca de 21% em julho.
Juros altos e guerra adicionam pressão sobre ações
Os investidores também miram a trajetória dos juros nos Estados Unidos. A coletiva de imprensa do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, após a decisão de manter as taxas inalteradas provocou forte reação negativa em ações e títulos.
Investidores interpretaram que o dirigente pode não estar com pressa para reduzir juros, ao indicar que a alta dos rendimentos dos Treasuries já ajudou o banco central a apertar as condições financeiras.
O rendimento dos títulos do Tesouro americano de 30 anos atingiu o maior nível em 19 anos, enquanto a taxa da Treasury de dez anos subiu para o maior patamar em 18 meses. A questão da guerra no Irã é, ainda, monitorada de perto, o que pode dificultar o cenário para a inflação.
Com essas expectativas, espera-se que o custo de capital aumente para empresas e consumidores, reduzindo o potencial de crescimento econômico e pressionando as ações de tecnologia, que costumam depender mais de expectativas futuras de lucro, conforme fonte ouvidas pelo WSJ.
Apesar da volatilidade, mercado ainda mira lucros
Mas parte dos analistas ainda vê fundamentos positivos para as bolsas de Nova York. O crescimento esperado dos lucros das empresas que compõem o S&P 500, combinando resultados já divulgados e projeções futuras, está próximo de 47%, o maior ritmo em mais de cinco anos.
Além disso, analistas seguem revisando para cima suas estimativas para os próximos trimestres. Um relatório do Goldman Sachs destacou que quedas após fortes períodos de valorização são comuns, especialmente em ações ligadas a chips e memória, que tiveram ganhos expressivos no início do ano.
Para o banco, os investimentos em IA devem ajudar o grupo das big techs a crescer a receita a uma taxa anualizada de 18% nos próximos dois anos.
Agora, o mercado aguarda novos dados econômicos, como o relatório de emprego (payroll, em inglês) dos EUA, além dos próximos balanços, incluindo empresas voltadas ao consumo, como McDonald’s e Disney, com divulgações previstas para os dias 4 e 5 de agosto, respectivamente.
*Com informações do Wall Street Journal












Leave a Reply