As ações da Palantir Technologies disparavam cerca de 16% no pré-mercado desta terça-feira, 4, após a companhia de software e serviços de informática, que atua com a inteligência artificial (IA), divulgar um balanço do segundo trimestre muito acima das expectativas.
Os papéis, negociados sob o ticker PLTR na Nasdaq, chegaram a subir 15,43% ainda na noite de segunda-feira, 3, e ampliavam os ganhos na manhã de hoje, cotados perto de US$ 145,04, depois de encerrarem o pregão anterior a US$ 125,65.
O principal destaque foi o avanço da receita comercial, que saltou 149% em relação a igual período do ano passado, para US$ 764 milhões. O resultado reforça que a demanda pelas soluções da Palantir deixou de depender apenas de contratos com governos, historicamente o principal negócio da empresa.
A receita do setor público também avançou, com alta de 90%, para US$ 809 milhões. No trimestre, a receita total alcançou US$ 1,94 bilhão, crescimento de 93% na comparação anual e acima da estimativa de US$ 1,8 bilhão compilada pela LSEG e divulgada pela CNBC.
Diante do desempenho, a companhia elevou sua projeção para 2026 e agora espera receita entre US$ 8,15 bilhões e US$ 8,158 bilhões, com a divisão comercial superando US$ 3,424 bilhões.
Karp aposta na ‘soberania de IA’
O cofundador e CEO da Palantir, Alex Karp, classificou o trimestre como “otherworldly“, isto é, “fora de série” na tradução livre, e afirmou que a chamada revolução da “soberania de IA” reforça sua confiança no futuro da empresa, além de minimizar comparações com outras empresas do setor.
“Esqueça o consenso”, disse o executivo em fala divulgada pela CNBC. “Que eu saiba, nenhuma empresa do nosso porte cresceu sequer metade disso.”
Para Karp, cada vez mais empresas querem manter o controle sobre seus próprios dados em vez de depender integralmente de grandes desenvolvedoras de IA, como OpenAI, dona do ChatGPT; Anthropic, dona do Claude; Alphabet, dona do Google; e Meta, dona do Facebook, Instagram e WhatsApp.
É essa tendência, batizada pela companhia de “soberania de IA”, que vem impulsionando a expansão da divisão comercial. “A revolução pela independência e pela soberania em IA já está em pleno andamento”, escreveu.
“Todas as organizações do mundo estão despertando para os riscos de entregar as chaves de suas instituições aos criadores dos modelos de linguagem, de deixar esses modelos soltos dentro de suas próprias casas”, acrescentou o CEO.
Wall Street reduz preocupações
Os resultados chegam em um momento de maior cautela com empresas ligadas à IA. E, apesar da forte alta, as ações da Palantir ainda acumulam queda de 29% no ano, refletindo a realização de lucros e o aumento das dúvidas sobre o ritmo de crescimento do setor.
Para analistas do Citi, porém, o balanço ajuda a enfraquecer uma das principais teses pessimistas sobre a companhia, a do avanço da concorrência em IA. O banco também vê que a crescente preocupação das empresas em proteger seus dados fortalece a posição competitiva da Palantir.
Em relatório publicado na segunda-feira, antes da divulgação dos resultados, o Citi já havia apontado a empresa como uma das principais beneficiárias da adoção corporativa de IA.
“Em nossa visão, os resultados reforçam a posição da Palantir como uma das principais beneficiárias da adoção da IA corporativa, com a demanda comercial em aceleração demonstrando que a empresa se beneficia de uma demanda semelhante à das empresas nativas de IA que mais crescem no mercado”, segundo os analistas.
O banco também projetava uma reação positiva das ações, sustentada pela recuperação do desempenho da operação comercial nos Estados Unidos.












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