Mulheres gastaram R$ 1 bilhão em canetas emagrecedoras no 1º semestre

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O mercado de medicamentos à base de GLP-1, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, ganhou força no e-commerce brasileiro no 1° semestre de 2026 e as mulheres foram as principais responsáveis por esse movimento. Entre janeiro e junho, foram registrados 602.815 pedidos associados ao público feminino, que movimentaram R$ 1,01 bilhão no período, segundo levantamento da Serasa Experian.

O volume de pedidos feitos por mulheres foi 75,2% superior ao registrado entre homens. Elas responderam por 44,2% das 1,36 milhão de solicitações analisadas no período. Os homens, por sua vez, foram responsáveis por 343.976 pedidos, ou 25,2% do total, movimentando R$ 614,6 milhões.

A categoria “Outros”, que reúne outros gêneros ou pedidos feitos sem identificação nessa classificação, respondeu por 417.563 solicitações e movimentou R$ 722,9 milhões.

O levantamento considera pedidos online de medicamentos associados à categoria GLP-1, como a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida, que imitam um hormônio produzido naturalmente pelo organismo humano. Essas drogas foram desenvolvidas inicialmente para o tratamento de diabetes, mas passaram a ser indicados também para obesidade.

No caso do estudo do Serasa, a datatech levou em conta os medicamentos injetáveis, além de outras formas farmacêuticas do princípio ativo.

Além do gênero, o estudo também identicou que os Millennials e integrantes da Geração X concentrm a maior parte dos pedidos, mas ressalta que os dados também mostram um avanço especialmente forte entre as faixas etárias mais velhas.

Entre pessoas de 71 a 90 anos, os pedidos das desses medicamentos cresceram 296,4% nos seis primeiros meses deste ano em relação ao mesmo período de 2025, chegando a 34.765 solicitações. É a maior alta entre todas as faixas etárias analisadas.

O crescimento também foi expressivo entre pessoas de 51 a 70 anos, com avanço de 229%, para 336.124 pedidos. Entre os consumidores de 36 a 50 anos, foram 481.616 solicitações, alta de 133,4%.

Na faixa acima de 90 anos, a mais velha analisada pelo levantamento, o número de pedidos cresceu 134,5%, para 980. Já entre os consumidores de até 25 anos, houve aumento de 84,1%, para 65.771 solicitações.

A Serasa ressalta que os dados representam pedidos associados aos CPFs classificados em cada faixa etária e não significam necessariamente que crianças, adolescentes ou idosos tenham realizado diretamente as compras.

Entre as gerações, os Millennials, ou Geração Y, foram responsáveis pelo maior número de pedidos no semestre, com 436.589 solicitações. A Geração X apareceu logo atrás, com 424.673. Juntas, as duas gerações concentraram 63,1% de todos os pedidos.

A concentração entre adultos mais maduros encontra contexto no perfil epidemiológico brasileiro. No ano passado, o relatório Vigitel, divulgado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em parceria com o Ministério da Saúde, mostrou que em 2023 o excesso de peso aumentou em todas as faixas etárias.

O menor índice foi observado entre jovens de 18 a 24 anos (32,4%), enquanto o maior avanço se deu entre adultos de 25 a 34 anos, que passaram de 41,4% para 61,7%. Mas a prevalência de excesso de peso é sobretudo maior na população de 45 a 54 anos, com 68,2%.

Mercado de GLP-1 cresce 149%

O avanço observado entre mulheres e faixas etárias mais velhas faz parte de uma expansão maior do mercado de medicamentos associados ao GLP-1 no ambiente digital.

No primeiro semestre de 2026, foram registrados 1.364.354 pedidos online, alta de 149,3% em relação aos 547.249 pedidos realizados nos seis primeiros meses de 2025. Na prática, o volume foi 2,5 vezes maior.

O valor total das solicitações alcançou R$ 2,35 bilhões entre janeiro e junho. Os números não representam o faturamento consolidado de todo o mercado brasileiro, mas o montante dos pedidos analisados pelas tecnologias antifraude da Serasa Experian.

O avanço começou a ganhar força em maio e junho de 2025, período que coincidiu com mudanças no ambiente regulatório e na disponibilidade dos tratamentos. Em abril daquele ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a retenção de receita para medicamentos agonistas de GLP-1, regra que entrou em vigor em 23 de junho.

O levantamento, contudo, não permite isolar o impacto de cada um desses eventos sobre o volume de pedidos.

A expansão do mercado também aparece na movimentação mensal. Entre julho de 2025 e junho de 2026, novembro foi o mês com maior número de pedidos, com 292.800 solicitações e R$ 476,7 milhões movimentados. O período casa com a data promocional da Black Friday.

O mês de março deste ano veio logo depois em número de pedidos, com 285.952 solicitações, mas registrou o maior valor movimentado de toda a série: R$ 478,1 milhões.

Segundo Rodrigo Sanchez, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian, o comportamento está relacionado também à sazonalidade do comércio eletrônico. “O pico de novembro coincidiu com a Black Friday, período marcado pela intensificação das campanhas promocionais no comércio eletrônico, e ainda com a antecipação das festas de fim de ano e férias de verão, que ocorrem entre dezembro e janeiro”, afirma.

Assim, os medicamentos associados ao GLP-1 passaram a registrar picos de demanda em períodos tradicionalmente mais movimentados do comércio digital, aproximando o mercado da marca de R$ 500 milhões em pedidos em um único mês.

Sudeste concentra dois terços das vendas

O mercado de emagrecimento online também apresenta forte concentração regional. O Sudeste respondeu por 901.191 pedidos no primeiro semestre, o equivalente a 66,1% de todas as solicitações registradas no país.

O Sul apareceu na sequência, com 188.997 pedidos, enquanto o Nordeste registrou 139.841. Centro-Oeste e Norte tiveram 105.615 e 28.087 solicitações, respectivamente.

Embora esteja distante do Sudeste em volume absoluto, o Nordeste apresentou o maior crescimento percentual. Os pedidos na região avançaram 195,2% em relação ao primeiro semestre de 2025. O Sul e o Norte também registraram altas expressivas, de 170,9% e 170,5%, respectivamente.

A concentração regional também aparece quando o levantamento observa as tentativas de fraude. O Sudeste respondeu por 61,1% das ocorrências identificadas no primeiro semestre, com 2.425 tentativas. O Nordeste veio em seguida, com 1.007 ocorrências e alta de 65,4% em relação ao mesmo período de 2025.

Golpes colocam R$ 7,9 milhões sob risco

O crescimento acelerado do mercado também colocou os medicamentos associados ao GLP-1 no radar dos criminosos. Entre janeiro e junho, foram identificadas 3.966 tentativas de fraude relacionadas aos pedidos, envolvendo R$ 7,86 milhões sob risco.

A categoria Saúde passou a integrar, ao lado de Beleza e Calçados, as três categorias do e-commerce com maior volume de tentativas de fraude barradas pela Serasa.

Segundo a empresa, a atração dos criminosos está relacionada às características dos produtos: alto valor, forte demanda e facilidade de revenda. “Produtos de maior valor agregado e que passam por um crescimento acelerado de demanda podem atrair também a atenção dos fraudadores”, afirma Sanchez.

Para o executivo, a proteção precisa considerar diferentes sinais de risco. “É necessário combinar diferentes camadas de inteligência, como análise de identidade, dispositivo, comportamento e transação, para identificar riscos sem criar barreiras desnecessárias aos consumidores.”

Em outro levantamento da Serasa sobre fraudes digitais, a companhia identificou mais de 10 mil anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos entre janeiro e março de 2026. O volume representou um novo risco surgindo a cada 13 minutos e alta de 8,3% em relação ao mesmo período de 2025.

No primeiro trimestre, também foram registradas mais de 368 mil tentativas de fraude em operações de comércio eletrônico e transferências financeiras, o equivalente a uma ocorrência a cada 21 segundos.

A Serasa recomenda que consumidores façam compras somente em sites, aplicativos e estabelecimentos oficiais, confiram o endereço eletrônico antes de fornecer dados e desconfiem de ofertas com preços muito inferiores aos praticados no mercado.

A companhia também orienta que os medicamentos associados ao GLP-1 sejam adquiridos somente mediante prescrição médica, com retenção da receita pela farmácia ou drogaria, e utilizados de acordo com as indicações aprovadas e sob acompanhamento de profissional habilitado.

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