Ibovespa opera sem força com Vale e bancos em queda; dólar sobe

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O Ibovespa opera sem força nesta sexta-feira, 28, em uma sessão marcada pela expectativa em torno da divulgação de indicadores econômicos no Brasil e na Europa, bem como do discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, em Jackson Hole. Por volta das 11h30 (horário de Brasília), o principal índice da B3 registrava ligeira queda de 0,16%, aos 174.858 pontos, enquanto o dólar comercial avançava quase 1%, cotado a R$ 5,212.

O mercado acompanha o discurso de Warsh, previsto para as 11h, em busca de pistas sobre os próximos passos da política monetária americana. A fala ocorre em meio às dúvidas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos e pode influenciar o dólar e o fluxo de recursos para mercados emergentes, como o Brasil.

Na bolsa brasileira, Petrobras impede uma queda maior do índice, enquanto Vale recua. As ações preferenciais da Petrobras (PETR4) avançam 0,63%, enquanto as ordinárias (PETR3) sobem 0,38%. Vale (VALE3), por sua vez, registra queda de 0,86%.

Parte dos grandes bancos também exerce pressão negativa sobre o Ibovespa. As preferenciais do Itaú (ITUB4) caem 0,43%, assim como BTG Pactual (BPAC11) recua 0,78%, seguido pelo Banco do Brasil (BBAS3) com queda de 0,30%. As preferenciais do Bradesco (BBDC4) operaram estáveis, com ligeira alta de 0,18%, enquanto Santander (SANB11) sobe 1,46%.

Entre as maiores altas do Ibovespa, Cury (CURY3) sobe 1,89%, seguida por Santander e pelas ações de BB Seguridade (BBSE3), B3 (B3SA3) e Ultrapar (UGPA3) com alta de mais de 0,80%.

Na ponta negativa, Minerva (BEEF3) recua 2,52%, enquanto CSN (CSNA3) cai 4,28%. Magazine Luiza (MGLU3) registra baixa de 4,55%.

O analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima, explicou que o avanço simultâneo, ainda que modesto, do Ibovespa e do dólar mostra que a recuperação recente da bolsa ainda não se converteu em uma melhora equivalente na percepção sobre o real.

Ele também vê que uma sinalização mais moderada de Warsh poderia aliviar essa pressão e favorecer o real diante do diferencial de juros oferecido pela Selic. Além disso, para hoje, a sequência de oito sessões de alta aumenta o risco de realização de lucros.

Lima reforçou que a sustentação do Ibovespa acima dos 176 mil pontos dependerá da continuidade da entrada de capital estrangeiro, pois a recuperação dos preços das ações já é consistente, mas o comportamento do dólar mostra que a percepção de risco em relação ao Brasil ainda não melhorou na mesma proporção.

Indicadores mexem no Brasil

No cenário doméstico, o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) caiu 0,22% em agosto, após recuo de 1,16% em julho. Com o resultado, o índice acumula alta de 1,85% no ano e de 2,16% em 12 meses. Já o estoque total das operações do Sistema Financeiro Nacional chegou a R$ 7,4 trilhões em julho, segundo o Banco Central.

Os preços da indústria, por outro lado, caíram 0,83% em julho ante junho, mantendo a trajetória negativa registrada no mês anterior, enquanto, no acumulado do ano, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) registra alta de 3,09%, enquanto em 12 meses a variação é de 1,94%.

Ainda nesta sexta-feira, os investidores acompanham a divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de julho, prevista para as 14h30.

Inflação acelera na Europa

No exterior, os dados de inflação chamam a atenção. Na França, a taxa anual acelerou para 2,4% em agosto, ante 2,1% em julho, superando a expectativa de estabilidade. Na Espanha, a inflação passou de 3,6% para 4,3%, também acima das projeções.

Apesar da pressão dos preços, o sentimento econômico da zona do euro melhorou. O indicador da Comissão Europeia subiu de 97,1 pontos em julho para 98,4 pontos em agosto.

As bolsas europeias operam em alta após dois pregões de perdas. O Stoxx 600 sobe 0,48%, enquanto o DAX, de Frankfurt, avança 0,58%. O CAC 40, de Paris, ganha 1,03%, o FTSE MIB, de Milão, sobe 0,74%, e o FTSE 100, de Londres, avança 0,22%.

EUA sobem antes de discurso do Fed

Nos Estados Unidos, os principais índices também avançam antes da fala de Warsh. O Dow Jones sobe 0,14%, o S&P 500 ganha 0,18% e o Nasdaq avança 0,21%. O Nasdaq 100, por outro lado, recua 0,03%.

As ações da Gap saltam cerca de 20% após a companhia anunciar um novo CEO para a Old Navy, enquanto os papéis da Marvell Technology recuam cerca de 7% após a empresa apresentar uma projeção de margem bruta considerada decepcionante pelo mercado.

Os três principais índices americanos caminham para fechar a semana no campo positivo. Dow Jones e S&P 500 acumulam alta próxima de 1%, enquanto o Nasdaq avança mais de 1% na semana.

Petróleo caminha para fechar semana em baixa

O petróleo opera em queda, com o Brent a US$ 87,47, baixa de 1,21%, e o West Texas Intermediate (WTI) a US$ 82,67, recuo de 1,03%. Os dois contratos caminham para encerrar a semana no vermelho, com perdas de 5,1% e 4,5%, respectivamente.

O mercado avalia a redução do prêmio de risco geopolítico diante da mudança da estratégia americana em relação ao Irã, com maior ênfase em sanções econômicas e negociações. Ao mesmo tempo, a retomada do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz ainda ocorre de forma irregular.

O estreito é responsável pela passagem de cerca de 20% da oferta mundial de petróleo. Dados preliminares mostram que sete embarcações de commodities atravessaram a rota na quinta-feira, 27, abaixo das 17 registradas no dia anterior e também da média de 15 embarcações dos dez dias anteriores.

Além das negociações envolvendo Irã e EUA, o mercado acompanha discussões da administração do presidente Donald Trump sobre um possível acordo para garantir acesso de longo prazo a parte das reservas de petróleo da Venezuela.

O país latino-americano também avalia deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), segundo informações citadas pela imprensa internacional.

Ásia fecha sem direção única

Na Ásia, os mercados terminaram o pregão mistos. O Nikkei 225, do Japão, subiu 0,41%, enquanto o Topix avançou 0,72%. Na Coreia do Sul, o Kospi caiu 1,79%. Na China continental, o CSI 300 recuou 0,46%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, terminou praticamente estável. Na Austrália, o S&P/ASX 200 ganhou 0,60%.

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