IA supera TikTok na busca por informações sobre investimentos, diz pesquisa

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Os assistentes de inteligência artificial já são mais citados que o TikTok como fonte de informação sobre investimentos entre os brasileiros que aplicam em produtos financeiros.

Segundo a 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro, da Anbima em parceria com o Datafolha, 9% dos investidores recorrem a essas ferramentas, que também aparecem à frente de Facebook, e-mail e rádio.

É a primeira vez que o levantamento mede o uso de assistentes de IA para essa finalidade. Embora ainda distante do YouTube, mencionado por 35%, e do Instagram, com 27%, a tecnologia passa a integrar um conjunto de canais digitais que disputam a atenção de quem investe.

A pesquisa ouviu 5.832 pessoas de 16 anos ou mais, de todas as classes econômicas, nas cinco regiões do país, entre 4 e 21 de novembro de 2025. A margem de erro geral é de um ponto percentual, para mais ou para menos.

Jovens recorrem mais à IA

O uso de inteligência artificial para se informar sobre produtos financeiros é mais frequente entre os jovens. Entre os investidores da Geração Z, de 16 a 29 anos, 17% consultam essas ferramentas. A proporção cai para 11% entre os Millennials, 4% na Geração X e 2% entre os Boomers.

As diferenças aparecem também por classe econômica. Na AB, 13% dos investidores recorrem a assistentes de IA, ante 7% na C e 4% na DE. Entre os homens que investem, o uso chega a 11%; entre as mulheres, a 7%.

Quem consulta IA também utiliza outros canais digitais com mais frequência do que o conjunto dos investidores. Nesse grupo, 51% buscam informações no YouTube, 41% usam ferramentas de busca, 38% recorrem ao Instagram e 35% consultam portais e sites. A televisão é mencionada por apenas 9%.

Esses investidores apresentam ainda carteiras menos concentradas na poupança. Segundo o levantamento, 77% se enquadram no perfil chamado de “Diversifica”, enquanto 23% investem somente na caderneta.

Ao observar os produtos presentes nas carteiras de quem usa IA, a pesquisa mostra que 33% têm dinheiro na poupança, a mesma proporção dos que possuem títulos privados. Fundos de investimento e criptomoedas aparecem com 29% cada.

Instagram ultrapassa a TV

A presença da IA ocorre em um cenário no qual as plataformas digitais já ocupam posição de destaque. O YouTube foi o canal mais citado pelos investidores para buscar informações sobre investimentos nas últimas cinco edições do Raio X.

O Instagram, por sua vez, ultrapassou a televisão. Em 2021, a rede social era mencionada por 25% dos investidores, enquanto a TV alcançava 34%. Em 2025, os percentuais foram de 27% e 21%, respectivamente.

Nem todo canal digital ganhou espaço. O WhatsApp caiu de 22% para 15% das menções no período. Já as ferramentas de busca, como o Google, incluídas pela primeira vez entre as opções nesta edição, foram citadas por 20%.

O acesso à internet é mais disseminado entre quem investe: 97% têm acesso à rede, e 77% afirmam dispor dele sempre. Entre os não investidores, esses percentuais são de 90% e 62%.

Formação ainda é restrita

A diferença entre investidores e não investidores também aparece na participação em atividades de educação financeira. Cerca de um terço de quem investe já frequentou aulas, cursos, treinamentos ou palestras sobre temas como investimentos, planejamento financeiro e aposentadoria. Entre quem não investe, a proporção cai para 14%.

No conjunto da população, apenas dois em cada dez brasileiros tiveram alguma dessas experiências. A participação alcança 37% na classe AB, 19% na C e 8% na DE.

Entre as pessoas do perfil Diversifica, 47% já participaram de atividades de educação financeira. O estudo ressalta, porém, que não é possível determinar se a formação estimula a diversificação ou se investidores mais experientes procuram mais conhecimento.

O papel do contato pessoal

A presença dos canais digitais na busca por conteúdo convive com a importância do contato pessoal na escolha de uma aplicação. Quando a pergunta é sobre os meios usados para obter orientação e decidir em qual produto investir, a conversa presencial com gerente ou assessor lidera, com 26%.

Amigos e parentes aparecem em seguida, com 18%. Aplicativos e sites de bancos e corretoras são citados por 11%, assim como os sites de notícias. Segundo o estudo, esses meios de orientação se mantiveram praticamente estáveis nos últimos cinco anos.

Na hora de efetivar a aplicação, a mudança é mais acentuada. O uso de ferramentas digitais passou de 48% dos investidores em 2021 para 63% em 2025. No mesmo intervalo, a ida presencial ao banco caiu de 43% para 32%.

O aplicativo do banco concentra boa parte desse avanço: era utilizado por 33% dos investidores e passou a 46%. Enquanto novas fontes, como a IA, entram na busca por informação, o contato presencial mantém espaço na orientação e a execução das aplicações migra para os canais digitais.

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