A guerra no Irã voltou ao centro das atenções dos investidores nesta sexta-feira, 7, após dois dias de alívio. A piora da situação no Oriente Médio reacendeu as dúvidas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz e reforçou as apostas de que o Federal Reserve (Fed) pode voltar a elevar os juros em setembro.
Com isso, até o payroll de julho, um dos indicadores mais importantes da economia americana, acabou ficando em segundo plano.
O relatório de emprego dos Estados Unidos, divulgado às 9h30, perdeu parte da relevância diante da escalada do conflito. A avaliação no mercado é que apenas uma piora significativa no mercado de trabalho seria suficiente para mudar o foco do Fed, que voltou a dar mais peso aos riscos de inflação.
A expectativa é de criação de 83 mil vagas em julho, com a taxa de desemprego estável em 4,2%.
No Brasil, os investidores ainda repercutem a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a Selic conforme esperado. O mercado também acompanha os resultados da Petrobras, que vieram acima das projeções.
Petrobras supera estimativas e anuncia dividendos
A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões no segundo trimestre de 2026, acima da expectativa do mercado, de R$ 50,8 bilhões.
Segundo a companhia, o resultado foi impulsionado pela produção recorde de petróleo e derivados, pelos preços mais altos do Brent e pela forte geração de caixa. A estatal também informou receita líquida de R$ 169,5 bilhões e Ebitda ajustado de R$ 93,8 bilhões no período.
O conselho de administração aprovou ainda a distribuição de R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, o equivalente a R$ 1,35 por ação, considerando papéis ordinários e preferenciais.
A teleconferência com investidores está marcada para esta sexta-fira, às 11h45.
Ibovespa encerra a semana de olho no payroll
Na véspera, o Ibovespa caiu 1,23%, aos 175.546 pontos, pressionado pelo aumento da aversão ao risco após a piora do conflito no Oriente Médio. O dólar, por sua vez, recuou 0,41% e fechou cotado a R$ 5,11. Já o iShares MSCI Brazil, principal índice de fundo (ETF, em inglês) brasileiro negociado em Nova York, caiu 0,03%, para US$ 35,80.
Entre as commodities, o ouro subiu 1,83%, para US$ 4.378,17 por onça-troy, refletindo a busca dos investidores por ativos considerados mais seguros. O petróleo recuou, com o Brent caindo 0,25%, para US$ 82,29 o barril, e o WTI cedendo 0,14%, para US$ 77,18. No mercado de criptomoedas, o bitcoin caiu 0,3%, para US$ 64.879,84, enquanto o ethereum ficou praticamente estável, a US$ 1.914,98.
Na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única. Tóquio caiu 0,07%, enquanto Hong Kong e Xangai avançaram 0,54% e 1,02%, respectivamente. Na Europa, os principais índices operam em alta. Já os futuros de Nova York indicam abertura mista, com alta de 0,51% no Nasdaq, avanço de 0,16% no S&P 500 e leve queda de 0,03% no Dow Jones.
O que acompanhar
No Brasil, a agenda traz a divulgação do Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) de julho, da Fundação Getulio Vargas (FGV), às 8h, além dos dados de produção e vendas de veículos do mês, às 11h.
Nos EUA, além do payroll, o mercado repercute a balança comercial da China, divulgada durante a madrugada. O país registrou superávit de US$ 112,5 bilhões em julho, acima da expectativa de US$ 108,6 bilhões, embora abaixo do resultado de junho.
Também estão previstos para o dia um discurso de Tom Barkin, dirigente do Fed, às 11h, os dados semanais de sondas de petróleo da Baker Hughes, às 14h, e os números de crédito ao consumidor de junho, às 16h.
Agenda política e de balanços
Na agenda política, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja para São José dos Campos (SP), onde visita o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para apresentar os dados de julho do Deter, sistema de monitoramento do desmatamento em tempo real.
O evento contará com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin, da ministra da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, e do ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco. A agenda do ministro da Fazenda, Dario Durigan, indica compromissos internos.
Na temporada de balanços, além da Petrobras, o mercado acompanha os resultados da Porto hoje. Nos EUA, o destaque fica para o balanço da Berkshire Hathaway, holding de Warren Buffett.












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