Apesar do avanço da cultura de investimentos no Brasil, muitos investidores ainda enfrentam dificuldades para conciliar a formação de patrimônio com a saúde financeira do dia a dia. Levantamento realizado pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box mostra que 40% dos brasileiros que investem já precisaram resgatar aplicações para pagar dívidas, evidenciando os desafios de manter uma estratégia de longo prazo em meio a pressões financeiras imediatas.
A pesquisa revela que 32% dos brasileiros possuem algum tipo de investimento. Entre aqueles que já aplicam recursos, mais da metade (52%) afirma que a principal razão para retirar dinheiro dos investimentos é a necessidade urgente de liquidez.
Ainda assim, o estudo aponta que investir tem gerado resultados positivos para uma parcela significativa da população. Entre os investidores entrevistados, 43% afirmam que sua situação financeira melhorou após começarem a aplicar recursos regularmente. Os principais objetivos citados são alcançar a independência financeira (24%), construir uma fonte de renda passiva (21%) e realizar a compra de um bem de maior valor, como um imóvel ou veículo (19%).
O levantamento também mostra que o mercado de investimentos ainda tem amplo espaço para expansão no país. Entre os brasileiros que nunca investiram, 41% dizem que não conseguem começar porque não sobra dinheiro no fim do mês. Já 20% apontam a falta de conhecimento sobre o tema como a principal barreira para dar os primeiros passos no mercado financeiro.
Segundo Aline Vieira, especialista da Serasa em educação financeira, os resultados indicam um amadurecimento gradual da relação dos brasileiros com os investimentos, mas também evidenciam a necessidade de fortalecer a organização financeira das famílias.
“Os resultados mostram que os brasileiros reconhecem cada vez mais a importância de investir para construir uma vida financeira mais segura e alcançar objetivos futuros”, afirma.
Ela continua: “No entanto, o fato de muitos investidores precisarem recorrer às aplicações para quitar dívidas mostra que ainda há desafios relacionados ao planejamento financeiro e à formação de reservas de emergência, fundamentais para sustentar uma estratégia de investimentos de longo prazo.”
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Quem investe, investe no que?
Entre os brasileiros que investem, os produtos de renda fixa seguem dominando a preferência. Segundo a pesquisa da Serasa, o investimento mais popular é o CDB/RDB, presente na carteira de 56,7% dos investidores. Em seguida aparecem a poupança (30,5%), o Tesouro Direto (28,4%) e os fundos de investimento (27,6%).
Modalidades consideradas de maior risco ou volatilidade têm participação menor, como ações (19,4%) e criptoativos (15,5%). O levantamento também mostra espaço relevante para investimentos em imóveis (13,2%), previdência privada (12,8%) e fundos imobiliários (12,3%), indicando que, embora a busca por diversificação esteja crescendo, a preferência dos brasileiros ainda se concentra em aplicações mais conservadoras e de menor risco.
População ainda tem receio
Os receios relacionados à segurança e ao risco de perdas financeiras aparecem como os principais obstáculos para que mais brasileiros invistam. De acordo com a pesquisa da Serasa, o maior medo é perder dinheiro (34,9%), seguido pelo risco de ser vítima de golpes ou fraudes (28,9%) e pela possibilidade de escolher investimentos inadequados (28,5%). A falta de liquidez também preocupa os investidores: 23,6% temem não conseguir resgatar os recursos quando necessário.
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Outros fatores citados incluem a volatilidade dos mercados (21,3%), o impacto de crises econômicas sobre os investimentos (20,4%) e a ausência de garantias ou mecanismos de proteção (17,7%). O levantamento ainda mostra que barreiras ligadas ao conhecimento permanecem relevantes, com 15,9% apontando falta de informação sobre investimentos e 15,8% relatando dificuldade para encontrar tempo para aprender e acompanhar o mercado.
Os dados sugerem que, além das limitações financeiras, a insegurança e a falta de educação financeira continuam sendo entraves importantes para a ampliação da base de investidores no país.
Educação financeira aparece como alavanca para novos investidores
O interesse pelo universo dos investimentos é elevado entre os brasileiros. De acordo com a pesquisa, 76% dos entrevistados gostariam de aprender mais sobre o tema, mas apenas 37% afirmam se sentir seguros para escolher investimentos sem o apoio de profissionais ou conteúdos especializados.
Para Vieira, ampliar o acesso à educação financeira pode ser determinante para aumentar a participação da população no mercado de investimentos.
“Ampliar o acesso à educação financeira é fundamental para que mais pessoas consigam investir com confiança, tomar decisões mais conscientes e desenvolver uma relação mais saudável com o dinheiro”, destaca.
A demanda por informação de qualidade também aparece de forma clara no estudo. Cerca de 41% dos entrevistados afirmam que investiriam mais caso tivessem acesso a conteúdos educativos acessíveis, práticos e confiáveis. O dado sugere que o conhecimento continua sendo um dos principais fatores para impulsionar a entrada e a permanência dos brasileiros no mercado financeiro.
Metodologia
A pesquisa foi realizada pelo Instituto Opinion Box a pedido da Serasa e ouviu 995 brasileiros de todas as regiões do país entre os dias 10 e 24 de outubro de 2025. A amostra contemplou entrevistados com diferentes perfis socioeconômicos, permitindo traçar um panorama sobre hábitos de investimento, educação financeira e gestão das finanças pessoais no Brasil.












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