EXCLUSIVO: No e-commerce, uma nova invasão chinesa está a caminho do Brasil

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Desde agosto, com o fim das taxas das blusinhas, o interesse de grupos chineses pelo e-commerce brasileiro aumentou. Delegações de empresários chineses têm visitado o Brasil em busca de parceiros locais para vender produtos, representando empresas com faturamento superior a US$ 100 milhões.

O objetivo é testar o mercado brasileiro, incluindo sistemas de pagamento e canais de atacado, e, se as vendas forem bem-sucedidas, estabelecer uma estrutura no país. A estratégia envolve vendas cross-border por meio de marketplaces como TikTok Shop e Mercado Livre.

A movimentação é impulsionada pela busca de novos mercados e pela restrição de produtos chineses nos EUA. A revogação do imposto de importação gerou reações no setor, com pedidos de isonomia entre comércio nacional e internacional. O governo arrecadou R$ 2,13 bilhões em impostos de importação até maio deste ano, e a isenção para produtos internacionais levanta questões sobre a carga tributária sobre produtos nacionais.

* Resumo gerado por inteligência artificial e revisado pelos jornalistas do NeoFeed

Desde agosto deste ano, quando o fim da taxa das blusinhas entrou na pauta, um movimento que já acontecia de forma tímida ganhou um novo impulso.

Segundo apurou o NeoFeed, uma nova invasão chinesa no e-commerce brasileiro está contratada. Delegações de empresários chineses intensificaram visitas ao Brasil em busca de parceiros para vender seus produtos.

Em uma dessas visitas, mais de 20 empresários de setores como tecnologia, varejo online, moda, casa, esportes, beleza, saúde e serviços de comércio internacional estiveram no Brasil.

Eles representam empresas chinesas que não são conhecidas, mas cujo faturamento de algumas delas já está na casa dos US$ 100 milhões.

Entre elas estão Chenfeng Technology, Yaqinlan Apparel, Zhiyi Apparel, Maigemei, Zhuoansheng, Fakouni, Dora Technology, Xingxuan Network, Douli Shiyi, Xinhuo Cross-Border e WMM.

O objetivo é encontrar parceiros locais e testar o mercado brasileiro, como sistemas de pagamentos, canais de atacado e entender o intrincado sistema tributário brasileiro. Caso as vendas tracionem, o próximo passo é pensar em uma estrutura no Brasil.

A estratégia é realizar vendas cross-border por meio de marketplaces, como TikTok Shop, Shopee, Mercado Livre e Temu.

“O Brasil estava no fim da fila dessas empresas. Finalmente, estão começando a vir para o Brasil”, diz uma fonte que acompanha essa movimentação. “Achávamos que isso ia acontecer dez anos atrás. Está acontecendo agora.”

Alguns fatores explicam essa movimentação. Um deles é a própria estratégia das empresas chinesas de ganhar novos mercados ao redor do mundo. Outro é o fato de os Estados Unidos, com o presidente Donald Trump, estarem mais restritivos aos produtos chineses.

Por esse motivo, a vitória de Flávio Bolsonaro, cujo pai teve um governo pautado por ataques à China, é vista com preocupação por esse grupo de empresas.

A dúvida é se Flávio usará a mesma retórica do pai, mas pouco fará, na prática, para afetar os negócios entre os dois países. Hoje, a China é o principal parceiro comercial do Brasil.

O fim das taxas das blusinhas foi também um impulso para que empresas chinesas, em especial de Shenzhen, voltassem a atenção para o Brasil. “O que assusta é a volatilidade e o baixo crescimento da economia brasileira”, afirma essa fonte.

Transformada de uma vila de pescadores em um dos maiores polos tecnológicos do mundo desde sua criação como Zona Econômica Especial, em 1980, Shenzhen tornou-se um dos principais motores da economia chinesa.

A cidade abriga gigantes como Huawei, Tencent, BYD e DJI, consolidando-se como referência global em inovação, pesquisa e desenvolvimento.

Em 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) de Shenzhen alcançou cerca de 3,87 trilhões de yuans (aproximadamente US$ 560 bilhões), com crescimento de 5,5% em relação ao ano anterior. O e-commerce cross-border representa aproximadamente US$ 160 bilhões, de acordo com estimativas ouvidas pelo NeoFeed.

Isonomia

O volume de e-commerce cross-border somou US$ 8 bilhões no Brasil em 2025, de acordo com a Mordor Intelligence. O governo, só no ano passado, arrecadou R$ 5 bilhões com o imposto.

Neste ano, o governo federal arrecadou R$ 2,13 bilhões em imposto de importação, de janeiro até meados de maio, com as encomendas internacionais, segundo a Secretaria da Receita Federal.

A revogação do imposto, considerada uma medida eleitoreira por empresários do setor de varejo, provocou uma reação de empresas.

A principal reivindicação é de isonomia. “Por que não estender ao comércio nacional a mesma isenção dada para as plataformas internacionais?”, disse ao NeoFeed o presidente da União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unec), Leonardo Miguel Severini, em agosto deste ano.

O governo cobrava um imposto de importação de 20% sobre compras internacionais até US$ 50. Com a promulgação do fim da taxa das blusinhas, esse valor passou a ser isento.

“Por que uma blusa fabricada no Brasil, vendida por um varejista brasileiro, merece uma carga tão gigante de impostos e a mesma blusinha, produzida em outro país e vendida para o mesmo consumidor, deve ter zero de impostos federais e só o ICMS?”, disse Sérgio Zimerman, em entrevista ao NeoFeed, em setembro deste ano.

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