Ibovespa recupera os 172 mil pontos com desaceleração da inflação; dólar cai a R$ 5,17

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O Ibovespa encerrou a sessão desta quinta-feira, 25, com alta de 0,89% aos 172.028 pontos. Já o dólar caiu 0,47% a R$ 5,17. Uma combinação de fatores ajuda a explicar o otimismo dos investidores, mas o principal é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de junho, que veio abaixo das expectativas.

O mercado esperava uma alta de 0,44%, enquanto o indicador veio em 0,41%. O número mostra uma desaceleração frente aos 0,62% de maio. Em termos qualitativos, tanto o núcleo e o setor de serviços, que são que o Banco Central mais gosta de olhar para a política monetária, desaceleraram.

“Iisso ajuda a Bolsa, óbvio, porque acaba reforçando bastante a tese de que o Banco Central não precisa subir mais juros. E juro menor lá na frente é bom para a renda variável como um todo”, explica Nicolas Gass, estrategista de investimentos e sócio da GT Capital.

Entretanto, o especialista alerta que a inflação segue acima da meta — 3%, com tolerância de 1,5% para cima. No acumulado de 12 meses, ela está em 4,80%. “E o próprio BC já elevou a projeção da inflação e disse que vê um risco altista por conta dos estímulos fiscais e de crédito do governo. Então é um alívio momentâneo, mas não é uma virada de jogo.”

As falas de Gabriel Galípo, presidente do BC, explicando sobre a última comunicação da autarquia, também ajudaram no tom positivo da Bolsa. A autoridade realizou uma coletiva para comentar o Relatório de Política Monetária do 2º trimestre, que revisou de 1,6% para 2% a projeção do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026.

“O que mais animou o mercado foi o Galípolo deixar claro que a inflação tende a convergir sem precisar endurecer mais o juro. Ele desarmou o ruído do último Copom, dizendo que o problema da comunicação foi de excesso de informação e não de falta, ou seja, não tinha mensagem dura escondida no comunicado. Foi isso que aliviou a curva futura de juros hoje”, pontuou Gass.

Cenário externo ajudou

Também teve uma ajuda do externo com as bolsas americanas reagindo bem ao resultado da Micron e também ao petróleo mais barato. “A região do preço hoje do barril do petróleo está muito próximo do que estava no cenário de pré-guerra. Então, isso ajuda bastante nas perspectivas de inflação como um todo”, comenta Gass.

Nesta quinta-feira, 25, a Micron Technology trouxe o fôlego que os investidores de tecnologia precisavam para retomar a confiança no setor depois de uma correção que pressionou fabricantes de chips e levantou dúvidas sobre o crescimento sustentável da inteligência artificial (IA).

Os números divulgados pela Micron evidenciam a força da demanda por memória voltada a aplicações de IA. No terceiro trimestre, a receita saltou de US$ 9,3 bilhões para US$ 41,46 bilhões na comparação anual. A empresa estima faturamento próximo de US$ 50 bilhões para o trimestre atual.

No pré-mercado, Nasdaq chegou a subir 2%, entretanto, fechou a sessão com queda de 0,49%, enquanto S&P 500 fechou estável e Dow Jones subiu 0,14%.

Nos Estados Unidos, também houve a divulgação do PIB do primeiro trimestre. No entanto, como ele veio em 2,1%, dentro do esperado, não foi ele que acabou mexendo o ponteiro. “O que de fato mexeu com as bolsas americanas hoje foi o resultado da Micron, que veio muito forte e reacendeu toda a tese e euforia da inteligência artificial”, aponta Gass.

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