A decisão de manter os juros dos Estados Unidos na faixa de 3,5% a 3,75% pela terceira vez consecutiva em 2026 reforçou a leitura que a inflação segue acima da meta de 2% e pode continuar assim por mais tempo.
O resultado é um cenário em que o alvo do Federal Reserve (Fed) passa a ser colocado em dúvida, já que os preços seguem acima desse nível, segundo fontes ouvidas pela Barron’s. Algo que não se restringe só aos EUA.
A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, afirmou que o ano deve ser marcado por “maior inflação e menor crescimento”, ao citar choques de energia, tensões geopolíticas e incerteza elevada.
Inflação acima da meta
O presidente do Fed de St. Louis, Alberto Musalem, vê que essas pressões não devem desaparecer tão cedo, gerando inflação acima da meta ao longo de 2026. E os juros devem permanecer altos.
Ainda que nenhuma dessas autoridades tenha defendido abertamente a mudança da meta, a sinalização implícita é outra, na avaliação de especialistas consultados pela revista estadunidense.
O pesquisador sênior e professor da Texas Tech University, Alexander William Salter, relatou que os bancos centrais estão “preparando o público para um mundo em que a inflação ultrapasse persistentemente os 2%.”
O ponto central do debate
A discussão sobre elevar a meta de 2% para 3% ganhou força, mas não é o ponto central do problema para muitos. Salter argumentou que essa abordagem ignora uma mudança mais profunda no funcionamento da economia global.
Guerras, gargalos logísticos e oscilações no preço de energia passaram a ter peso maior na dinâmica de preços, o que limita a eficácia das ferramentas tradicionais, explicou a Barron’s.
Isso significa que, mesmo mantendo os juros altos, não dá para controlar a oferta do petróleo e nem resolver as interrupções no Estreito de Ormuz ou compensar perdas na produção.
Diante dessas limitações, ele detalhou que, quando o banco central reage a aumentos de preços causados por restrições de oferta como se fossem resultado de demanda aquecida, o risco é acabar intensificando o problema.
Proposta ganha espaço
Substituir a meta de inflação por uma meta de Produto Interno Bruto (PIB) nominal tem ganhado espaço para guiar a política monetária em meio à instabilidade, segundo Salter.
Caso o indicador fique acima do esperado, haveria aperto monetário, e estímulo se ficar abaixo. Esse modelo permitiria separar melhor os efeitos de oferta e demanda.
Credibilidade em jogo
Além disso, a forma como a política monetária responde a esses desafios afeta a confiança. Salter diz que o problema surge quando os BCs “não conseguem distinguir problemas de oferta de problemas de demanda.”
O ponto central não é apenas cumprir ou não a meta, mas mostrar capacidade de interpretar corretamente o que está por trás da inflação, na sua visão. A perspectiva segue, assim, com inflação e juros elevados.












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