Mais da metade dos torcedores deve trocar bar por jogo em casa na Copa deste ano

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A Copa do Mundo de 2026 deve confirmar uma tendência que vem se consolidando no comportamento do torcedor brasileiro: assistir aos jogos em casa, reunido com família e amigos, em vez de buscar bares e outros espaços públicos. É o que aponta um relatório do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME) elaborado com dados da Scanntech, empresa de inteligência de varejo. Segundo o levantamento, 65% dos brasileiros planejam acompanhar as partidas do torneio em casa. Essa mudança de hábito traz consequências diretas para o padrão de consumo durante o período da competição.

O relatório não analisa os motivos dessa preferência, mas aponta suas consequências para o varejo. Com o consumo concentrado no ambiente doméstico, a demanda por produtos ligados a encontros sociais e celebrações tende a migrar para as prateleiras do supermercado. Carnes, snacks, bebidas e produtos de conveniência são as categorias que mais se beneficiam desse movimento, com alguns itens registrando altas expressivas em dias de jogo.

Esse comportamento se encaixa em um contexto macroeconômico que o BTG Pactual descreve como favorável ao consumo, ainda que com ressalvas. A renda média do brasileiro subiu de R$ 3.111 em 2022, na Copa do Catar, para R$ 3.508 em 2026, enquanto a inflação recuou de 5,8% para cerca de 4,1% no mesmo período. Essa melhora da renda real, segundo os analistas, cria uma margem de poder de compra que tende a se manifestar em momentos de forte apelo emocional coletivo, como os jogos da seleção. A Selic em 14,5% e a volatilidade geopolítica global seguem como fatores de incerteza, mas o relatório avalia que o consumo ligado ao futebol tem características que o tornam menos sensível ao cenário de crédito do que outros tipos de gasto.

O torneio de 2026 traz ainda um elemento novo que amplia o alcance desse comportamento. Com o formato expandido para 48 seleções e 104 partidas distribuídas ao longo de 39 dias, as ocasiões de consumo se multiplicam. Cada rodada de jogos funciona como um novo gatilho de compras, estendendo o efeito do torneio por quase seis semanas. O relatório estima que eventos de futebol geram um incremento de aproximadamente 4,7% no consumo do varejo em relação a períodos normais.

O horário das partidas reforça a tendência de consumo em casa. Com 43% dos jogos programados para a faixa entre 19h e 23h, o torneio favorece os encontros noturnos no ambiente doméstico.

O relatório identifica ainda mudanças no perfil do que é consumido. Dentro de cada categoria, os produtos voltados para o consumo coletivo superam os itens do cotidiano. No caso das bebidas, além do crescimento de destilados e bebidas premium, os analistas apontam uma maior procura por versões zero açúcar e de baixa caloria, reflexo de uma mudança gradual no perfil do consumo festivo brasileiro.

O BTG Pactual avalia que, diferentemente de outros ciclos econômicos, a demanda gerada pelo futebol tem capacidade de se sustentar independentemente do humor mais amplo da economia funcionando como um estímulo de demanda temporário com dinâmica própria.

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