A Copa do Mundo não muda apenas a rotina dos brasileiros, como também o que eles colocam no carrinho de compras. É o que aponta um relatório do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME)com base em dados da Scanntech, empresa de inteligência de varejo. Segundo o estudo, dias de jogo provocam uma migração clara no padrão de consumo: os produtos do cotidiano cedem espaço para itens ligados a encontros sociais, comemorações e experiências compartilhadas.
Os números são expressivos. Entre as categorias que mais crescem em dias de partida, a churrasqueira lidera com folga, registrando alta de 227% em relação a períodos normais. Na sequência aparecem a pipoca de micro-ondas, com incremento de 120%, e o amendoim salgado, com alta de 86%. O consumidor não está abastecendo a despensa — está montando uma experiência.
Com 65% dos brasileiros planejando assistir aos jogos em casa, segundo a pesquisa da Scanntech, o ambiente doméstico se transforma em ponto de encontro. Famílias se reúnem, amigos se juntam, e a compra deixa de ser utilitária para se tornar social. O varejo alimentar é o principal beneficiado desse movimento, já que o gasto que em outras ocasiões iria para bares e restaurantes migra para as prateleiras do supermercado.
As bebidas também entram nessa lógica. O relatório aponta crescimento relevante nas categorias de destilados e bebidas premium durante o período da Copa, sem trazer números. Ao mesmo tempo, uma tendência nova deve ganhar força em 2026: a procura por versões zero açúcar e de baixa caloria. O consumidor quer celebrar, mas sem abrir mão de escolhas que considera mais saudáveis, um outro sinal de mudança no perfil do consumo festivo brasileiro.
Dentro de cada categoria, o relatório mostra que nem todos os produtos se beneficiam da mesma forma. No caso das carnes, por exemplo, os cortes mais adequados para churrasco e para consumo coletivo superam com folga o desempenho dos cortes do dia a dia. O efeito dos jogos favorece especificamente os produtos associados ao ato de compartilhar, e penaliza os que remetem à rotina individual.
Os itens básicos da cesta alimentar, como arroz, feijão, massas, produtos de limpeza, tendem a ficar abaixo da média de desempenho nesses períodos. Não é que deixem de ser comprados, mas perdem protagonismo no carrinho. O consumidor reorganiza suas prioridades de compra em torno da ocasião, e a Copa é uma das poucas datas no ano com poder suficiente para provocar essa reorganização em escala nacional.
O estudo também analisa o comportamento do consumidor ao longo de um ciclo que inclui vários momentos: o dia anterior ao jogo (D-1), as horas antes da partida, o período durante o jogo e as horas após o apito final.
O tráfego nas lojas cresce 6,7% no dia anterior à partida, o maior índice de todo o ciclo. E não é só mais gente entrando nas lojas, o valor gasto por compra também sobe. O ticket médio aumenta cerca de 24% nesse mesmo dia.
A Copa de 2026, com 104 jogos distribuídos ao longo de 39 dias, oferece uma janela longa para que as varejistas possam capturar esses movimentos. O desafio, segundo o BTG, é entender que o consumidor de dia de jogo é um consumidor diferente e tratá-lo como tal.












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