‘Big techs’ amargam perdas em 2026. E a volatilidade está só no começo

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A instabilidade das ações do setor de tecnologia pode estar longe do fim. Com o mercado mais cauteloso, surge a questão: o que os investidores devem fazer agora?

Por uns bons anos, apostar na valorização das ações das gigantes de tecnologia dos Estados Unidos foi uma escolha segura, mas essa confiança sofreu um duro abalo agora em 2026. O índice Nasdaq Composite caiu 5,9% no ano, impactado em parte pelas incertezas geradas pela guerra com o Irã.

“O setor de tecnologia simplesmente se encaixa no perfil de uma ação que será vendida neste cenário, onde o foco é ‘atirar primeiro, perguntar depois’”, afirmou John Belton, gestor de portfólio da Gabelli Funds, à Barron’s.

Segundo ele, em momentos de aversão ao risco, investidores tendem a se desfazer de ações de alta volatilidade e múltiplos elevados.

Antes mesmo do conflito, as empresas de tecnologia já sentiam pressão devido aos vultosos investimentos em inteligência artificial. A Amazon, a Meta e a Alphabet comprometeram-se a aplicar cerca de US$ 650 bilhões em 2026 na construção de data centers para sustentar o hardware necessário para IA.

“Essas ações antes eram vistas como investimentos sólidos porque eram máquinas de gerar fluxo de caixa com poucos ativos e muita receita”, comentou Steve Sosnick, estrategista-chefe da Interactive Brokers à Barron’s. “Agora, os compromissos de gastos mudaram completamente essa narrativa.”

Diante de uma volatilidade que pode persistir, investidores em tecnologia talvez precisem revisar seu apetite por risco, aponta a análise da revista.

A guerra no Irã não tem data para terminar, a inflação persistente pode levar o Federal Reserve a adotar política monetária mais agressiva, e taxas de juros elevadas são prejudiciais para ações de tecnologia. Além disso, não se espera desaceleração nos gastos, e Wall Street ainda aguarda sinais concretos de retorno.

“Se esse tipo de recuo realmente te deixou nervoso, você provavelmente está correndo riscos demais”, disse Sosnick, sugerindo oportunidades em ações de baixo beta e alto dividendo, especialmente aquelas que conseguem sustentá-los com fluxo de caixa livre.

Belton também observa que avaliações de algumas das maiores empresas de tecnologia caíram, criando oportunidades de entrada. Entre os exemplos, quatro das ações do grupo conhecido como Magnificent 7 — incluindo Microsoft, Nvidia, Amazon e Meta — estão sendo negociadas abaixo de suas médias projetadas de preço/lucro para os próximos cinco anos.

“Será difícil prever movimentos de curtíssimo prazo no preço das ações, especialmente durante um conflito como este, mas, com o tempo, elas se ajustarão aos resultados”, disse Belton. “Se você mantiver a visão geral em mente, tente não reagir de forma exagerada ao curto prazo, mantendo uma perspectiva de longo prazo.”

Para investidores que preferem evitar ações subavaliadas, mas ainda com grande geração de fluxo de caixa, Jonathan Cofsky, gestor da Janus Henderson Investors, sugere olhar para semicondutores, memória e outras ferramentas básicas, que se beneficiam do intenso investimento de capital.

“Ao passo que o fluxo de caixa dos hiperescalares tende a zero, setores como memória, óptica e afins ainda representam oportunidades valiosas”, explicou Cofsky.

Com o cenário incerto, os especialistas reforçam: a volatilidade no setor de tecnologia pode estar apenas começando, e os investidores têm agora a chance de ajustar suas estratégias antes de um possível período turbulento.

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