Empregos nos EUA, Galípolo na CAE e tensão no Irã: o que move os mercados

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Os mercados acompanham nesta terça-feira, 19, uma agenda carregada de indicadores de emprego no Reino Unido, inflação no Canadá e dados do setor imobiliário nos Estados Unidos.

Discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e do Banco Central Europeu (BCE) também entram no radar dos investidores, além da decisão de juros na China no fim do dia.

O que acompanhar no mercado doméstico

No Brasil, os olhares se voltam para a particição do Ministro da Fazenda, Dario Durigan, na reunião do G7, que reúne ministros da Fazenda e presidentes de Bancos Centrais das maiores economias do mundo. A agenda desta terça-feira prevê encontros bilaterais com a representante da França para Inteligência Artificial, Anne Le Hénanff, e com a ministra das Finanças do Japão, Satsuki Katayama.

Durigan também deve se reunir com Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, em meio às preocupações com os impactos da guerra no Oriente Médio sobre o mercado global de energia. Segundo o governo brasileiro, o país vem sendo citado em fóruns internacionais pelas medidas adotadas para reduzir os efeitos da volatilidade do petróleo sobre o consumidor.

A viagem também será usada para reforçar a posição do Brasil como potencial fornecedor estratégico de minerais críticos para a transição energética. O governo pretende destacar reservas de terras raras, nióbio e grafeno, insumos considerados relevantes para cadeias ligadas a baterias, eletrificação e tecnologias de energia limpa.

A agenda das autoridades também inclui compromissos do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo. A autoridade monetária deve comparecer à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, às 10h desta terça-feira, em meio ao avanço das investigações do Banco Master.

A participação de Galípolo foi confirmada pelo colegiado. Os membros da CAE querem ouvir de Galípolo sobre a liquidação do Master, determinada pelo BC em novembro do ano passado.

O que acompanhar nos EUA e Canadá

Nos Estados Unidos, os investidores acompanham às 9h o discurso de Christopher Waller, membro do Fed, em busca de sinais sobre juros e inflação. Na sequência, às 9h15, será divulgado o relatório ADP de criação de empregos no setor privado, com registro de abertura de 33 mil vagas anteriormente. Às 9h55 sai o índice Redbook de vendas no varejo, após alta anual de 9,6% na leitura anterior.

Já às 11h, o mercado acompanha os dados de vendas pendentes de moradias de abril: a projeção é de 1,1% na comparação mensal, após alta de 1,5% no mês anterior. No fim do dia, às 17h30, serão divulgados os estoques semanais de petróleo bruto da API, depois de queda de 2,188 milhões de barris na última leitura.

No Canadá, o destaque da agenda fica para o bloco de inflação às 9h30. O mercado projeta alta de 3,1% no índice cheio de preços ao consumidor (IPC) em abril, acima dos 2,4% registrados anteriormente. Na comparação mensal, a expectativa é de desaceleração para 0,6%, ante 0,9% no mês anterior. Entre os núcleos de inflação, o IPC comum deve permanecer em 2,6% ao ano.

No mesmo horário, serão divulgados dados de licenças de construção, com expectativa de recuperação de 2,1% após queda anterior de 8,4%, além do índice de preços de novas casas, projetado em estabilidade após recuo de 0,2% no mês anterior.

O que acompanhar na Europa e Ásia

Na Europa, o foco da manhã está no Reino Unido. Às 3h, serão divulgados os dados do mercado de trabalho de março e abril. A expectativa é de manutenção da taxa de desemprego em 4,9%, enquanto a variação do emprego no trimestre móvel deve marcar 107 mil vagas, após 25 mil no dado anterior.

O mercado também acompanha os rendimentos semanais médios: a projeção é de estabilidade em 3,8% para salários incluindo bônus e desaceleração para 3,4% nos ganhos sem bônus, ante 3,6% anteriormente. Já o número de desempregados em abril deve cair para 25,9 mil, após alta de 26,8 mil no levantamento anterior.

Às 5h10, Sarah Breeden, dirigente do Banco da Inglaterra, faz discurso, enquanto às 5h30 será divulgada a produtividade da mão de obra do quarto trimestre, que registrou 1,1% anteriormente.

Na Zona do Euro, a balança comercial de março será divulgada às 6h. A expectativa do mercado é de superávit de 6,5 bilhões de euros, abaixo dos 11,5 bilhões registrados no dado anterior.

Mais tarde, às 9h, Philip Lane, economista-chefe do BCE, participa de pronunciamento acompanhado de perto por investidores em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária na região. Às 9h10, Claudia Buch, vice-presidente do Bundesbank, banco central alemão, também fala ao mercado.

Na Ásia, o dia começa com a divulgação de indicadores do Japão às 1h30. A produção industrial de março deve registrar queda de 0,5% na comparação mensal, repetindo o resultado anterior. O índice de atividade da indústria terciária de março deve cair 0,3%, após retração de 0,7% no dado anterior. À noite, às 20h, será divulgado o índice Tankan Reuters de maio.

Na China, os investidores acompanham às 22h a decisão sobre a taxa preferencial de empréstimo (LPR) de um ano, com expectativa de manutenção em 3,50%. Às 22h15, sai a LPR de cinco anos, também esperada estável em 3,00%.

Atenção aos balanços corporativos no exterior

Esta terça-feira será movimentada pela divulgação de uma leva de balanços importantes no exterior. Antes da abertura dos mercados, saem os resultados do primeiro trimestre de 2026 da Home Depot (HD), KE Holdings (BEKE) e Amer Sports (AS).

Após o fechamento dos mercados, é a vez de Keysight Technologies (KEYS), ZTO Express (ZTO) e Toll Brothers (TOL) abrirem seus números. Encerrando a agenda, a Toll Brothers também apresenta o balanço do 2T26, com estimativa de lucro por ação em US$ 2,58.

Tensão no Oriente Médio segue no horizonte

No cenário internacional, o mercado também segue atento ao Oriente Médio após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que suspendeu um ataque militar ao Irã que estaria previsto para esta terça-feira.

Segundo Trump, a decisão ocorreu após pedidos de líderes do Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos para que a ofensiva fosse adiada enquanto negociações diplomáticas seguem em andamento.

O presidente afirmou que os países da região acreditam na possibilidade de um acordo envolvendo o programa nuclear iraniano. Apesar do recuo momentâneo, Trump disse ter orientado as Forças Armadas a manter prontidão para uma eventual operação militar “em grande escala” caso as negociações fracassem. O episódio segue no radar dos investidores por seus potenciais impactos sobre petróleo, inflação global e aversão a risco nos mercados internacionais.

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