Desenrola para adimplentes: vale a pena trocar dívida estando com as contas em dia?

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O Governo Federal irá lançar nesta segunda-feira, 29, o progroma Desenrola Adimplentes com o objetivo de evitar a inadimplência de quem paga as contas em dia. A ideia é que consumidores possam trocar dívidas mais caras por empréstimos mais baratos. Hoje, é possível encontrar no mercado taxas que chegam na faixa de 954,13% ao ano – 21,69% ao mês.

Neste cenário, vale a pena trocar de dívida quando se está quitando corretamente?

“Mesmo com as contas em dia, toda oportunidade de pagar menos juros ou mesmo reduzir as parcelas é vantajoso para quem vive no limite do orçamento, pois além de trazer um alívio financeiro também traz mais oportunidade de conseguir continuar pagando a dívida e honrar com esse compromisso até o final”, explica Daiane Alves, educadora financeira da Neon.

De acordo com Guilherme Casagrande, educador financeiro da Creditas, essas dívidas abocanham grande parte do oçamento familiar. Ao fazer a troca por uma linha de crédito mais barata e reduzir o valor dessas parcelas, o poder de compra desse consumidor é imediatamente destravado.

“Aquele dinheiro que estava sendo consumido pelos juros altos volta para o bolso da pessoa, retornando para a economia real na forma de consumo, bem-estar e planejamento de futuro”, diz.

Mas por que os bancos ofereceriam taxas de juros mais baratas?

À primeira vista, pode parecer contraditório que as instituições financeiras aceitem reduzir os juros cobrados dos clientes. A explicação está na diminuição do risco de inadimplência e na concorrência por consumidores com bom histórico de pagamento.

Segundo Alves, os juros refletem, em parte, o risco de calote. No Desenrola para Adimplentes, porém, esse risco é reduzido graças ao Fundo Garantidor do programa, que assegura o recebimento da dívida pelas instituições. “Com essa proteção, os bancos conseguem oferecer taxas mais atrativas para que o consumidor renegocie seus débitos”, explica.

O programa tende a beneficiar ambos os lados. Enquanto os bancos aumentam a segurança de recuperar os recursos emprestados, os consumidores conseguem reduzir o custo da dívida, liberando parte da renda para consumo ou investimentos.

Para Casagrande, outro fator é a disputa entre bancos e fintechs por bons pagadores. “Uma nova instituição pode quitar a dívida do cliente no banco original e assumir esse crédito com um novo contrato, oferecendo prazos e juros mais competitivos”, afirma. Segundo ele, a concorrência favorece o consumidor, que passa a ter acesso a condições melhores de financiamento.

Como vai funcionar o Desenrola Adimplentes?

O anúncio será feito no Palácio do Planalto, com a participação do ministro da Fazenda, Dario Durigan. A expectativa é que o governo apresente os critérios definitivos para adesão ao programa durante a cerimônia.

A principal exigência deve ser que o consumidor tenha pago em dia pelo menos quatro parcelas de uma dívida de até R$ 15 mil. A equipe econômica avalia que, embora esse público não esteja inadimplente, muitos brasileiros continuam pressionados pelo alto custo do crédito contratado em um período de juros elevados.

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O programa amplia a estratégia iniciada com o Desenrola Brasil, lançado em 2023 para renegociar dívidas de consumidores inadimplentes. Agora, o governo pretende alcançar quem ficou de fora das etapas anteriores e responder às críticas de que as políticas de renegociação beneficiavam apenas quem deixou de honrar os pagamentos.

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